Crédito consignado – Solução ou armadilha?

Alvos de golpistas e da avalanche de publicidade, aposentados e pensionistas são as principais vítimas.

Criado há três anos para ser um complemento da aposentadoria e viabilizar uma velhice digna, o crédito com desconto em folha movimentou até hoje cerca de R$ 30 bilhões e já responde por 55% do total do crédito pessoal, sendo um dos principais responsáveis pela criação de consumidores superendividados.

Apesar de a legislação estabelecer o limite de 30% do valor dos rendimentos para desconto em folha, falhas no sistema da previdência permitem que a margem consignável seja burlada. A falta, ou a precariedade na intercomunicação entre o INSS e os bancos e entre os próprios bancos fazem com que muitos aposentados fiquem com até 90% do benefício comprometido com o pagamento de empréstimos.

Os cidadãos recorrem às financeiras para complementar a renda, têm dificuldade para honrar a dívida e acabam sendo sugados por uma espiral perversa, contraindo novos empréstimos para pagar empréstimos.

O problema é agravado pela avalanche de publicidade de dinheiro fácil e rápido em jornais, televisão, rádio e até mesmo na rua, induzindo o consumidor a engolir o lugar comum de que o crédito trará felicidade.

Aposentados e pensionistas são os alvos preferenciais de vendedores de financeiras que os abordam na rua ou mesmo em casa, anunciando taxas que nem sempre correspondem à realidade e oferecendo mil facilidades e brindes para a contratação do crédito.


Principais golpes

Os golpes aplicados atualmente ultrapassam o limite da propaganda enganosa e da sedução do crédito fácil. Em Belo Horizonte, no dia 27 de setembro, Dia Nacional do Idoso, segundo o Procon Municipal, financeiras do Centro da cidade fizeram uma ‘promoção’ oferecendo corte de cabelo gratuito e, enquanto conversavam com o cliente, obtinham seus dados e induziam o aposentado a assinar um papel para concorrer a um brinde. Só que o ‘brinde’ na verdade, era uma autorização para a contratação de um empréstimo com desconto em folha.

Segundo reportagem do Jornal Estado de Minas, no Rio Grande do Sul, estelionatários que se apropriavam de documentos perdidos pelos aposentados e falsificavam papéis para obter empréstimos em nome de um segurado do INSS, que só se dava conta da fraude quando vinham os descontos em folha.

Solicitar ao cliente o depósito de um valor como entrada é outro golpe usado pelas quadrilhas. O vendedor afirma que o depósito é condição para liberação do empréstimo e, uma vez efetuado, eles depositam um cheque sem fundo na conta da vítima e somem da praça.

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